A NUTRIÇÃO PERSONALIZADA A PARTIR DO ESTUDO DO SEU DNA!

Por: As Nutris 14 de Julho de 2018

O fornecimento de nutrientes provenientes dos alimentos e sua utilização pelo organismo foram muito discutidos há tempos, antes mesmo da chamada Revolução Química. Acredita-se que a nutrição surgiu como ciência a partir desse momento, já que nenhuma investigação científica tinha sido realizada antes.

A dieta do afluente, rica em gorduras saturadas e em colesterol, sofreu grande impacto durante a 2a Guerra Mundial devido à restrição de alimentos. Esse fato permitiu associação entre a redução no consumo dessa dieta à diminuição da incidência de doença isquêmica do coração, além do melhoramento das drogas disponíveis e da condição defumar menos. Entretanto, o excesso de peso acompanhado no diabetes, persistia em aumentar e a ciência da nutrição ainda não estava preparada para intervir de forma a solucionar as consequências de um estilo de vida sedentário (CARPENTER, 2003c).

Nos encontramos na chamada “Revolução Genômica”, e como ocorre em todas as revoluções, as descobertas, mudanças e o progresso trazem consigo muitas perguntas sem respostas (ORDOVAS; MOOSER, 2004).



No conceito geral de genômica nutricional, tanto o termo ‘nutrigenômica’ quanto ‘nutrigenética’ são utilizados.

A nutrigenética estuda os efeitos da variação genética na interação dieta-doença, o que inclui a identificação e caracterização do gene relacionado ou até mesmo responsável pelas diferentes respostas aos nutrientes. O propósito da nutrigenética é criar uma recomendação que possa apresentar os riscos e benefícios do consumo de dietas específicas ou componentes dietéticos para cada indivíduo (ORDOVAS; MOOSER, 2004).

A nutrigenômica é uma ciência que estuda como os constituintes dos alimentos interagem com os genes e seus produtos na alteração do fenótipo, isto é, na informação da expressão gênica. Para tanto, é preciso se compreender a maneira pela qual os nutrientes e os compostos bioativos atuam na modulação da expressão gênica (KAPUT et al., 2005).

 

A INTERAÇÃO GENE – DIETA

 

DIABETES MELLITUS TIPO 2

Em uma revisão feita por Kaput e Dawson (2007), muitos polimorfi smos genéticos associados ao diabetes Mellitus tipo 2 foram listados. Por exemplo, indivíduos que carregam o alelo G e o PPARγ2 Ala12 parecem ser mais sensíveis à insulina do que aqueles que simplesmente carregam o alelo T. Interações entre a adiponectina e a PPARγ2 também contribuem para o aumento da concentração de insulina, inclusive em testes orais, como também na resistência à esse hormônio.

 

CÂNCER

Os hábitos alimentares, bem como o estilo de vida são as principais causas de mortes por neoplasias, sua incidência deverá aumentar de 10 milhões (em 2000) para 15 milhões em 2020, sendo a dieta responsável por 30% dos óbitos em países ocidentais e 20% naqueles em desenvolvimento (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE/ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2003).

 

Sabe-se que a dieta é um dos fatores determinantes no prognóstico da neoplasia. Atualmente, pode-se afi rmar que compostos bioativos da dieta como a curcumina, a genisteína, o resveratrol, o ácido ursólico, o licopeno, a capsaisina, a silimarina, as catequinas, as isoflavonas, o indol-3-carbinol, as saponinas, os fioesteróis, a luteína, a vitamina C, o folato, o beta caroteno, a vitamina E, os flavonoides, o selênio e as fibras dietéticas atuam como agentes protetores contra o câncer (AGGARWAL; SHISHODIA, 2006).

 

DOENÇAS CARDIOVASCULARES (DCV)

Sabe-se que a dieta pode alterar os riscos de doenças cardiovasculares tanto para mais quanto para menos, um exemplo disso é a relação entre um polimorfi smo presente no gene da adiponectina e resistência à insulina (ORDOVAS, 2007).

 

POSSÍVEIS GENES ENVOLVIDOS NO METABOLISMO LIPÍDICO (COLESTEROL)

Os transtornos cardiovasculares incluem as concentrações plasmáticas de colesterol, triacilgliceróis, HDL, LDL, glicose, insulina, homocisteína, marcadores infl amatórios, como a proteína C reativa (PCR), a IL-6 e o TNF-α, além de marcadores do estresse oxidativo, de coagulação e marcadores de disfunção endotelial (CORELLA; ORDOVAS, 2007).

 



https://www.unesp.br/aci/revista/ed15/quem-diria

FUJII, T. M. M.; MEDEIROS, R.; YAMADA, R. Nutrigenomics and nutrigenetics: important concepts for the nutrition science. Nutrire:
rev. Soc. Bras. Alim. Nutr. = J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v. 35, n. 1, p. 149-166, abr. 2010.

http://centrodegenomas.com.br/n/o-que-e-4p-genomica/