VINHO TINTO: fonte da juventude

Por: As Nutris 13 de Novembro de 2018

Certamente ao folhar revistas de saúde, ler blogs ou assistir à televisão você se deparou com um modelo de dieta recomendado por diversos profissionais da saúde, a dieta mediterrânea. Esse plano alimentar sugere benefícios na abundância do consumo de frutas, hortaliças (verduras e legumes), cereais, leguminosas (grão-de-bico, lentilha), oleaginosas (amêndoas, azeitonas, nozes), peixes, leite e derivados (iogurte, queijos), azeite de oliva e a ingestão moderada de vinho. De uma maneira simplificada, O vinho é uma bebida obtida através da fermentação alcoólica do suco de uvas recém colhidas.

O processo natural de fermentação se dá através das leveduras – micro-organismos que se alimentam do açúcar presente no suco da uva, transformando-o em álcool e dióxido de carbono.

Além de diferentes sabores e aromas, uma substância chamou a atenção de pesquisadores franceses na década de 80. Ao observarem o padrão alimentar da população francesa verificaram um alto consumo de vinho e produtos com altas taxas de gordura saturada, como queijos e ovos. Apesar do alto consumo de gorduras potencialmente prejudiciais ao coração, a população ainda apresentava baixos índices de doença cardiovascular. Os cientistas da época associaram essa condição ao resveratrol, um composto bioativo presente no vinho, e a partir disso diversas pesquisas buscando entender seus benefícios foram realizadas.


Os estudos atuais demonstram que esse composto tem um efeito favorável sobre o controle sanguíneo de glicose e insulina em pacientes diabéticos, atuando consequentemente também na perda de peso, pois estimula a função pancreática, responsável pela queima das gorduras. Em relação ao câncer, a forma que esse polifenol age no organismo ainda não é certa, contudo em alguns estudos foram observadas a capacidade de bloquear a ativação de vários agentes cancerígenos e/ou estimular a sua desintoxicação.


No que diz a respeito a doenças do coração, pacientes com alto risco cardiovascular podem beneficiar-se, já que os níveis de perfil lipídico sérico, glicemia de jejum e frequência cardíaca são reduzidos em pacientes com alto consumo de resveratrol. Seus benefícios ainda vão além, quando combinado com a atividade física, esse poderoso antioxidante pode beneficiar a saúde óssea em casos de osteoporose já que estimula a produção osteoblástica (células responsáveis pela criação de compostos da matriz óssea).




O resveratrol tem sido caracterizado como um fitoestrógeno, com a habilidade de ligar-se nos receptores de estrogênio. O álcool em quantidades pequenas têm a capacidade de induzir a produção de estrógeno em mulheres pós menopausa, de modo que esse hormônio desempenha um papel importante no balanço de formação e reabsorção óssea. Todos esses benefícios  colaboram para um envelhecimento tardio, aumentando a expectativa de vida de seus consumidores principalmente pela sua ação inibitória dos radicais livres, moléculas que favorecem o envelhecimento celular, desenvolvimento de doenças e prejuízos ao DNA.


Em relação ao esporte, os estudos ainda são inconclusivos, porém, atualmente os resultados são promissores. Em ratos, foi demonstrado que a suplementação de resveratrol pode ter um efeito protetor no glicogênio hepático. Em ratos idosos, a suplementação associada ao exercício resistido aumentou a força e a capacidade de resistência.



Mas, como incluir esse composto na minha alimentação?

Essa substância é encontrada principalmente nas sementes da uvas e na casca das uvas pretas, consequentemente é presente no vinho e no suco integral de uva. Também pode ser encontrada em diferentes partes do amendoim, porém não em quantidades suficientes para a suprir as necessidades diárias.

Todos os vinhos possuem a mesma quantidade de resveratrol?

Não. O resveratrol é uma substância produzida à medida que bactérias e fungos atacam a parreira, é uma forma de proteção das plantas contra o ambiente. Dessa forma, as condições climáticas, terra, entre outros afetam a quantidade do composto. No Brasil, a alta umidade dos solos da Serra Gaúcha favorece a proliferação desses fungos, o que gera uma hipótese de que os vinhos gaúchos tem mais resveratrol do que os vinhos importados.

Outro ponto importante é que o vinho branco possui uma menor quantidade, no processo de fabricação a casca é desprezada então grande parte é perdida nesse processo. No geral, vinhos comuns possuem 2 a 12,5 mg por cada litro da bebida.


O vinho é calórico?

Sim. O vinho é uma bebida naturalmente calórica já que é proveniente do álcool. Existem diferenças entre os tipos de vinhos, no geral, os vinhos que possuem mais açúcar são ainda mais calóricos do que outros.

Qual é a quantidade ideal?

     O Projeto Diretriz da Associação Médica Brasileira, Conselho Federal de Medicina e II Consenso Brasileiro para o tratamento da hipertensão arterial preconizam 240 ml de vinho tinto ingeridos diariamente ao favorecimento da redução da resistência a insulina e prevenção de doenças cardiovasculares. Segundo USDA - Dietary Guidelines Advisory Committee, 2005 recomendam para os mesmos benefícios 140 ml diário, logo American Heart Association – AHA, 2001, preconizam 90 – 120 ml de vinho/ diário. Pode-se perceber nestes exemplos que os benefícios citados são os mesmos do consumo, porém em quantidades diferenciadas

Contudo, não há um consenso sobre as quantidades seguras de bebidas alcoólicas atualmente. Órgãos como a  American Heart Association recomendam que aqueles que não consomem bebidas alcoólicas não devem começar devido aos efeitos negativos do álcool a longo prazo. Agora, caso você já seja um consumidor de bebidas alcoólicas, pode beneficiar-se com uma ou duas taças de vinho diárias (COMACHIO, G.; TOLEDO, L. R. O vinho tinto como alimento funcional: uma revisão da literatura sobre a quantidade recomendada. Para os não consumidores, os benefícios também podem ser encontrados no suco de uva tinto


Qual a média de consumo de vinho no Brasil e em outros países?

De acordo com o Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), o consumo per capita de vinhos no Brasil é de cerca de dois litros e vem se mantendo estável na última década, ocupando a 20ª colocação. Portugal está no topo entre os países de maior consumo, com 54 litros por habitante. Em segundo lugar está a França, com 51,8 litros, e a Itália, com 41,5 litros. Entre os países da América do Sul, os destaques são a Argentina, com 31,6 litros per capita, e o Chile, com 14,7 litros. Na década de 70, a França era considerada a maior consumidora de vinhos, contudo, com o tempo perdeu o posto.  Para o sociólogo Gérard Mer met, o vinho está relacionado a uma cultura antiga da qual os adolescentes não estão interessados.
          Boulet tem outra explicação: "O vinho na França é bebida que acompanha a refeição. Jovens costumam comer em fast foods, que não servem bebidas alcoólicas".

Acompanhem todas as novidades no nosso instagram: @asnutris

Referências:

KING, RE et al. Bioactivity of Resveratrol. Comprehensive reviews in food science and food safety. v.5, 2006.

GAMBINI, J et al. Properties of Resveratrol: In Vitro and In Vivo Studies about Metabolism, Bioavailability, and Biological Effects in Animal Models and Humans. Oxidative Medicine and Cellular Longevity. 2015.

KUNDU, JK; SURH, YJ. Cancer chemopreventive and therapeutic potential of resveratrol: Mechanistic perspectives. Cancer Letters. v.269, p.243–261, 2008.

MAGYAR, K et al. Cardioprotection by resveratrol: a human clinical trial in patients with stable coronary artery disease. Clin. Hemorheol. Microcirc. v.50, p.179–187, 2012.


Nai-Wen Kan; Chin-Shan Ho; Yen-Shuo Chiu; Wen-Ching Huang; Pei-Yu Chen ; Yu-Tang Tung; Chi-Chang Huang;  Effects of Resveratrol Supplementation and mExercise Training on Exercise Performance in Middle-Aged Mice. Molecules,  2016.


MONTEIRO-DA-FONSECA-CARDOSO, Letícia et al . Effects of red wine, grape juice and resveratrol consumption on bone parameters of Wistar rats submitted to high-fat diet and physical training. Nutr. Hosp.,  Madrid , v. 35, n. 2, p. 416-420,  abr. 2018


http://www.ibravin.org.br/Noticia/abastecimento-do-mercado-de-vinhos-no-brasil-apresenta-crescimento-de-3-no-primeiro-semestre/305


https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq041112.ht