GORDURA NO FÍGADO

Por: As Nutris 20 de Fevereiro de 2019

A Doença Hepática Gordurosa Não-Alcoólica (DHGNA) é o nome das doenças metabólicas do fígado, cujo característica é a deposição de gordura no hepatócito (célula do fígado). Essa doença pode se desenvolver-se e associar-se a outras patologias como:  hepatite, fibrose, cirrose e até mesmo câncer de fígado.

Na geração atual, a DHGNA é um problema reconhecido mundialmente, já que no período pós revolução industrial ocorreu um avanço tecnológico, esse acontecimento favoreceu a inserção da mulher no mercado de trabalho, fator relevante visto que as mulheres eram as principais responsáveis pelas principais tarefas domésticas, e a diminuição de demanda do trabalho no campo.


A esteatose hepática não-alcoólica (EHNA) afeta em torno de 1-3% da população total. A prevalência eleva-se em cerca de 50% em indivíduos obesos e, pode evoluir para cirrose ou carcinoma hepatocelular.





A DHGNA em geral, é uma epidemia crescente em todo mundo e fortemente ligada à obesidade e resistência à insulina .

Os homens são mais propensos a desenvolver DHGNA quando comparados às mulheres, com resultados de prevalência de 31%, e 13% das mulheres. Este fato está relacionado à maior tendência de armazenamento de gordura visceral no homem. Além disso, já é demonstrado que os hormônios esteroides femininos, especialmente o estrogênio, auxiliam na utilização de gordura como fonte de energia, bem como a gordura não visceral, o que torna as mulheres menos propensas a acumular gordura abdominal e consequente ao desenvolvimento da DHGNA.




Predisposição genética, etnia, idade, gênero e estilo de vida, são alguns dos fatores de risco já conhecidos por levarem ao desenvolvimento de obesidade, adiposidade visceral, resistência à insulina e esteatose hepática. O acúmulo de gordura do abdomen causa uma maior atividade lipolítica, e, portanto, leva ao aumento dos níveis plasmáticos de Ácidos graxos livres (AGL), que são tóxicos para hepatócitos e mitocôndrias, levando à apoptose e inflamação dessas células.




O fígado gorduroso é associado com a obesidade e resistência à insulina. Dessa forma, a sua prevenção assim como seu tratamento envolve uma mudança nos hábitos alimentares de seus portadores, visando o consumo de uma alimentação menos industrializada, e com um teor reduzido de carboidratos refinados, assim como a frutose, já que atualmente está bem estabelecido que a frutose proveniente do xarope de milho (produto muito utilizado na indústria para conferir sabor doce aos produtos) pode ser um fator desencadeante da esteatose hepática e de outras comorbidades como resistência a insulina, obesidade, entre outros.




Referências

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